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Alentejo: The Tinto & The Ugly

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Alentejo: The Tinto & The Ugly

Game Boy, PC · 2025

Zema

Escrito por

Zema — Video & Social Media Producer · 12 de Agosto 2026

Recomendamos?

Sim, vale a pena.

O "Alentejo: The Tinto & The Ugly" é um daqueles casos que prova que a comunidade indie ainda tem fôlego para desafios verdadeiramente loucos: lançar um jogo novo, feito de raiz, para uma consola de 1989. E não é só um exercício de nostalgia — é hardware genuíno a correr o código.

Jogar Game Boy em 2026 significa lidar com as mesmas limitações de sempre: um ecrã monocromático, um processador a rondar os 4MHz, e apenas alguns kilobytes de RAM para trabalhar. O jogo foi desenvolvido pela loading studios e claro esteve constrangido a estas limitações do gameboy, apesar disso, conseguiu produzir um jogo de qualidade que tanto seria bom em 1990 como é bom em 2026. O jogo corre tanto em emulador como em hardware original, desde que se tenha uma flash cart, como os everdrive.

Há algo quase surreal em pegar numa consola física de 36 anos e ver-lhe sair uma aventura de cowboys no Alentejo do século XIX — com barris, cavalos, e humor bem português, como se sempre tivesse pertencido àquela biblioteca de jogos.

É a sequela direta de "Alentejo: Tinto's Law" (2024), que já tinha sido o primeiro grande sucesso português no Game Boy. Desta vez, o jogo aprofunda a fórmula com mais puzzles, mais sequências de ação e uma banda sonora mais variada, mantendo sempre as referências históricas à Península Ibérica do século XIX que se tornaram a marca da série.


História

A história é simples, mas cativante. Acompanhamos Gildo e Dolores na sua missão para derrubar o Barão Tinto.

A aventura começa com a chegada dos nossos heróis à cidade, onde se deparam com uma cena peculiar: alguém acabou de roubar uma garrafa de vinho do bar do Zé. Gildo e Dolores não perdem tempo e seguem o ladrão até à igreja, onde recuperam a garrafa.

De regresso ao bar, entregam o vinho ao Zé e confessam-lhe o verdadeiro motivo da sua visita: querem derrubar o Barão Tinto. Mas sabem que, sozinhos, não conseguem — precisam de ajuda. É então que o Zé lhes fala de Los Hermanos, uma dupla lendária de ladrões espanhóis.

E é a partir daqui que a verdadeira aventura começa: uma jornada épica repleta de ação, humor e heroísmo.

As constantes conversas entre os heróis e os NPCs que encontramos pelo caminho são de uma qualidade notável. As referências à cultura portuguesa e aos memes nacionais são executadas na perfeição, com um timing cómico impecável. Numa cena estamos a assistir ao clássico jogo de futebol dos solteiros contra os casados; noutra, deparamo-nos com uma passagem envolvendo a Macarena tão hilariante que, a certo ponto, tive mesmo de pausar o jogo — de tanto rir, já não conseguia continuar.

É esta simbiose entre bom humor e aventura que torna "Alentejo: The Tinto & The Ugly" um jogo especial — e de visita obrigatória para qualquer fã de Game Boy ou de produtos nacionais.



Gameplay

O gameplay é simples, mas muito divertido. Temos dois mapas de cidade centrais que servem como ponto de ligação entre as diferentes áreas do jogo, onde decorrem tanto a história principal como as missões secundárias. Dentro das cidades encontramos ainda minas e grutas que escondem dungeons ao estilo Zelda, com puzzles e batalhas pelo caminho.

O combate é igualmente simples, mas cativante, lembrando o clássico Tanks da NES. Ainda assim, existem mecânicas de melhoria de arma e de reputação na cidade que, apesar de básicas, dão carácter ao jogo e ajudam a dinamizá-lo. Ainda assim, gostaríamos que as melhorias tivessem um impacto mais substancial na jogabilidade. Na nossa experiência, a única diferença verdadeiramente sentida surgiu ao apanhar o segundo revólver — todas as restantes melhorias, na nossa opinião, acabaram por parecer pouco significativas.

Ao longo da jornada, somos também confrontados com duelos ao estilo de western, onde vence quem sacar e disparar primeiro. Trata-se de um minijogo de timing, em que é preciso disparar assim que o adversário se mexe. Estes duelos, sempre acompanhados de tiradas humorísticas por parte dos adversários são também um dos pontos altos da experiência.



Visuais e desempenho

O grafismo é caracterizado pelas limitações do gameboy, são mocromáticos e na resolução reduzida do ecrã de um gameboy. Apesar disto este aspeto do jogo apresenta mais um ponto positivo para a Loading Studios pois as personágens exibem carácter próprio e são bastante distintas umas das outras, isto não é tão fácil de fazer se pensarmos que cada boneco tem de ser composto pelo minimo de sprites possíveis para encaixar num ecrã com a resolução de 160x144, deixando ainda espaço para os cenários e para outros npcs no ecrã. Os cenários do jogo são também de alta qualidade, quase podemos sentir aquela brisa alentejana.


Audio

A música é bastante agradável, em nenhum momento senti necessidade de baixar o volume da consola. Para uma banda sonora de Game Boy, é um feito a destacar, sobretudo porque as composições são também muito distintas entre si.

Mas, se quiserem ouvir as músicas no seu expoente máximo, terão de adquirir a versão física deluxe, que inclui a banda sonora orquestral. Esta revela todo o esplendor das composições e mostra todo o potencial que estava escondido na versão de Game Boy.

Pontos fortes

  • História
  • Humor
  • Visuais/Grafismo
  • Audio

Pontos fracos

  • Duração
  • Melhoria das armas
  • Sistema de reputação

Veredicto

Em jeito de conclusão, deixamos aqui algumas sugestões de aspetos que consideramos que poderiam ser melhorados.

Em primeiro lugar, sentimos que o jogo é demasiado curto — gostaríamos que a aventura se prolongasse um pouco mais. No entanto, acreditamos que esta decisão possa estar relacionada com limitações orçamentais ou com o tempo disponível para o desenvolvimento do projeto.

Além disso, e voltando a referir as melhorias das armas, consideramos que estas têm, no geral, um impacto pouco significativo na jogabilidade, não contribuindo de forma muito evidente para a evolução da experiência do jogador.

Também achamos que o sistema de reputação poderia ser ligeiramente mais desenvolvido. Por exemplo, poderia ter uma influência um pouco maior na forma como algumas personagens reagem ao jogador ou desbloquear pequenas diferenças em certos diálogos ou situações. Ainda assim, tendo em conta as limitações de uma plataforma como o Game Boy, consideramos que o sistema funciona bem dentro da proposta do jogo.

No geral, "Alentejo" trata-se de uma aposta certeira, especialmente se considerarmos que é possível adquiri-lo pela módica quantia de 3€. E, se sentirem como nós que os devs merecem ser recompensados pelo seu trabalho, podem encomendar uma das duas versões físicas distintas, com cartucho de Game Boy incluído.

Da nossa parte, fica a recomendação máxima.

Há ainda um gesto bonito por trás do lançamento: a Loading Studios doou os lucros de fevereiro de 2026 às comunidades de Leiria e Marinha Grande, afetadas pela tempestade Kristin. Da nossa parte, muito obrigado.