

PC · 2007
Ainda vale a pena jogar isto hoje?
Sim, continua a valer.
Em 2007 saía para o mercado um jogo especial chamado Bioshock. Criado por Ken Levine e a sua equipa 2k boston, mais tarde irrational games.
Mais do que contar uma história, BioShock queria fazer o jogador questionar aquilo que estava a fazer. Quem controla quem? Até que ponto as nossas escolhas são realmente nossas? E, sobretudo, será que somos nós a jogar o jogo… ou será que o jogo está a jogar connosco?
Quase duas décadas depois, BioShock continua a ser lembrado não apenas como um dos grandes shooters da sua geração, mas como uma das experiências mais marcantes da história dos videojogos. E talvez seja precisamente por isso que, ainda hoje, voltar a Rapture continua a ser tão fascinante como na primeira vez.

Rapture é a alma de bioshock. Sem a cidade, tudo o resto se desmorona. O gameplay, os gráficos e o audio são bons, sem dúvida, mas a essencia do jogo centra-se na cidade e no seu ambiente retro-futurista.
Rapture é uma cidade submarina criada por Andrew Ryan entre as décadas de 40 e 50 do século XX. Ryan rejeitava as filosofias contemporâneas da sua altura, recusava o capitalismo americano, obcecado pela acumulação de riqueza, e recusava também o comunismo, que via como um sistema que esmagava o indivíduo em nome do coletivo
Ryan queria algo novo centrado na liberdade e no génio do próprio Homem, assim nasceu Rapture.
A cidade é deslumbraante, a sequência inicial do submarino é ainda hoje espetacular, já se passaram quase duas décadas desde que o jogo saiu e ainda não perdeu nada da beleza e encanto que provocou em 2007.
Infelizmente para Ryan, a sociedade de Rapture não floresceu na utopia que ele almejava,
Ao chegarmos a Rapture, encontramos uma cidade mergulhada na decadência: cadáveres, estruturas em ruínas, equipamentos avariados e corredores húmidos por todo o lado. Mas o pior são os poucos habitantes que restam.
Consumidos pelo abuso de ADAM, uma substância capaz de alterar geneticamente o corpo humano e conceder capacidades sobre-humanas, os seus efeitos destruíram-lhes progressivamente a sanidade. Transformados nos violentos Splicers, são agora apenas uma sombra daqueles que um dia viveram naquela que deveria ser uma utopia.
Filosofia como tema central — O jogo dialogava abertamente com o objetivismo de Ayn Rand, usando Andrew Ryan como uma crítica a ideais de liberdade individual levados ao extremo. Poucos jogos da altura se atreviam a construir toda a sua identidade à volta de uma discussão filosófica tão explícita.
Narrativa ambiental:
O jogo não abusava de sequencias e cutscenes demoradas para contar a sua história, à medida que avançavamos no jogo íamos dando conta da decadencia de rapture e do que se terá passado antes de lá entrarmos, nada é explicado diretamente, apenas somos informados pelo ambiente. Lembramos que na altura a maioria dos jogos abusava das cutscenes como muleta para explicar a narrativa, Bioshock fazia o contrário e demonstrava uma narrativa passiva, deixada ao cargo do jogador, é o chamado show dont tell.
Plasmids
Em bioshock é possível adquirir poderes sobrenaturais, são os chamados plasmids e permitem entre outras coisas, disparar eletricidade, lançar bolas de fogo, manipular a gravidade de objetos, etc. Estes poderes eram parte fulcral do gameplay e quando combinados com as armas de fogo à nossa disposição durante a aventura, permitia uma componente estratégica de encarar o combate pouco comum para a altura.
Big daddies
Além de rapture, a imágem de marca de Bioshock são sem dúvida os big daddies. Estes tinham a missão de defender as little sisters cujo trabalho era recolher ADAM dos cadáveres.Sempre vigilantes e protetores os big daddies estariam sempre prontos a agir para as defender.
Ao longo do jogo defrontamos varias vezes estes temiveis inimigos, especialmente resistentes devido à sua armadura protectora, tornando todas estas batalhas épicas.. Era sempre uma batalha entre o sobreviver ou salvar recursos, criando uma tensão constante no jogador. Ao fim da batalha tinhamos a possibilidade de salvar a little sister ou sacrificar para recuperar substancialmente ADAM para os planids. Sem restrições por parte do jogo, valorizáva-mos salvar a menina ou obter vantágens para combates futuros?

Would you kindly?
Sem entrar em spoiler para quem nunca jogou, o final da história é muito interesssante e tornou-se um marco na história dos videojogos.
Filosofia
O jogo centra-se num ponto fulclral, qual o valor do livre arbitrio e qual a natureza humana. Pelo que podemos observar durante a campanha, os devs apontam para a ideia que a natureza humana é naturalmente negra virada apenas par o auto ganho. Rapture morre porque numa sociedade individualista o bem comum nunca é um objetivo a alcançar.
Como foi recebido na altura?
À data do seu lançamento foi universalmente aclamado pelos criticos e pelos jogadores. Na sua critica o ign destacava o jogo como uma obra de arte que moldava o gameplay e o enredo numa direção consistente. Atribuindo a nota de 9.4 em 10. O gamespot deu 9 em 10 e referia na sua critica que BioShock cria um mundo espantoso que o jogador vai querer explorar ao seu ritmo.
Recebeu também variados prémios de jogo do ano de diversas entidades como BAFTA e Spike tv.
Por parte do publico em geral, o jogo foi também adorado, tendo vendido mais de 4 milhões de cópias, no metacritic a média dos jogadores é de 8.7 em 10, o que representa uma receção geralmente favorável. Bioshock e rapture entraram na memória poular comum, sendo ainda hoje celebrados.
Com o sucesso vieram também as sequelas, Bioshock 2 e bioshock infinite, infelizmente a irrational games fechou as portas em 2014, impedindo a chegada de novas sequelas.
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Porque ainda vale a pena
Onde já envelheceu

Bioshock é mais que um jogo, é uma experiência interativa que nos faz questionar filosóficamente sobre a natureza humana, o livre arbitrio e o poder da sugestão. Tudo isto embrulhado num jogo com direção de arte, grafismo e gameplay de alta qualidade. Esta junção gerou um dos melhores jogos de sempre, obrigatório para todos os amantes de shooters e de videojogos em geral.