NewGame+ PT
Voltar
Beast of Reincarnation

Vale a pena?

Beast of Reincarnation

Xbox, PC, PS5

Zema

Escrito por

Zema — Video & Social Media Producer

Depois de uma hora, queremos continuar a jogar?

Sim, continuamos.

Bem vindos ao Japão no ano 4026. No episódio de hoje vamos jogar Beast of Reincarnation, o novo projeto da Game Freak, sim, os mesmos criadores de Pokémon.

Temos uma rapariga com poderes de planta, um cão que dá ordens como se fosse um general e um mundo inteiro coberto por uma praga vegetal que decidiu que o planeta ficava mais bonito assim. Preparem a espada e chamem o cão, porque a visita guiada ao Japão devastado está prestes a começar.

Gameplay

O combate é o grande destaque da experiencia. Sentimos estar sempre no controlo, quando eventualmente morremos, temos clara noção que foi por nossa culpa. Sao controlos extremamente responsivos, que permitem parries e esquivar com bastante precisão. Ao atacar também nos sentimos poderosos Emma tem golpes muito vistosos e movimenta-se muito rapidamente se qualquer lag aparente, o combate é frenético e extremamente divertido.

Koo, o nosso fiel amigo canino tem também habilidades próprias e podemos aceder às mesmas com o botão triangulo ou Y, estas habilidades utilizam uns pontos que vamos ganhando à medida que vencemos inimigos ou fazemos um parry perfeito.Sempre que a situação aperta, basta abrir o menu de Koo e escolher a melhor resposta para o momento.

É essa fusão entre ação pura e sangue e um sistema mais pensado, quase tático, que dá o tom ao combate. Nunca estamos completamente sozinhos, mesmo quando um inimigo maior nos obriga a recuar.

Ao longo do jogo vamos aprendendo novas habilidades que ajudam a complementar o nosso arsenal de truques.

Vamos recolhendo poderes dos chefes derrotados e usamo-los para expandir aquilo que Emma e Koo conseguem fazer em combate.

As dificuldades são ajustáveis a qualquer momento, o que torna o jogo bastante mais acessível do que outros títulos do género costumam ser, sem deixar de oferecer desafio a quem o procura.

História

A história segue Emma, uma jovem de dezoito anos marcada pela Blight, uma infestação parasita vegetal que transformou animais em criaturas perigosas conhecidas como Malefacts. Ao seu lado está Koo, um cão vadio que se torna o seu companheiro de viagem, e juntos partem por um Japão devastado à procura de respostas.

Emma e Koo têm uma missão, enfrentar chefes espalhados pelo mundo e capturar os seus poderes, tudo para conseguirem, no fim, derrotar a própria Beast of Reincarnation que dá nome ao jogo.

O cenário bebe muito claramente de Princess Mononoke, com aquela mistura de natureza bonita e ao mesmo tempo ameaçadora, e a atmosfera geral tem uns quantos ecos de NieR, essa mistura de melancolia e beleza estranha num mundo já meio partido.

O jogo não tem pressa em contar a sua história. Prefere ir construindo aos poucos a relação entre Emma e Koo, e ir revelando o passado de cada personagem através de cenas mais paradas, quase teatrais, com pouca animação, aqui a pouco emotividade da protagonista vei mesmo a calhar. Fora de brincadeiras, as cutscenes podiam estar melhor, os personagens aparecem normalmente parados apenas a mexer a boca.

Cada personagem tem um passado que nos é revelado aos poucos, à medida que avançamos por este Japão irreconhecível.

Gráficos

Visualmente, este é sem dúvida o jogo mais ambicioso que a Game Freak já fez. Construído em Unreal Engine 5, o mundo de Beast of Reincarnation consegue equilibrar uma paisagem devastada pela praga com momentos de beleza quase melancólica, florestas tomadas pela Blight, ruínas cobertas de vegetação estranha e criaturas que parecem ter saído de um pesadelo botânico.

Tecnicamente não é dos jogos que se mostram mais evoluídos graficamente, mas aquele mundo demonstra uma beleza muito fora do comum, depois de o jogar dei comigo a ponderar sobre as paiságens e locais que visitei, a direção de arte é muito boa.

O próprio realizador do jogo já assumiu que a prioridade nunca foi perseguir a fidelidade gráfica máxima, mas sim garantir que a experiência de jogo fica na memória de quem joga. E percebe-se essa intenção, porque mesmo sem ser tecnicamente irrepreensível, o jogo tem uma direção de arte muito própria, que ajuda a vender aquele mundo estranho e bonito ao mesmo tempo.

Som / Música

O áudio acompanha bem a proposta do jogo, com uma banda sonora que oscila entre momentos mais melancólicos, ligados à devastação do mundo, e passagens mais intensas durante os combates contra os chefes.

O som ajuda também a reforçar a relação entre Emma e Koo, com pequenos detalhes sonoros sempre que o cão reage às ordens dadas, o que torna aquela sensação de trabalho em equipa ainda mais palpável.

A música que toca quando viajamos pelo mapa é muito boa e mostra forte inspiração nas composições com voz do nier automata.

Performance

Muito fluído no pc, sem ser muito exigente tecnicamente salvo raras stutters do unreal engine.

Pontos fortes

  • Combate: Os controlos são muito responsivos, com parries e esquivas precisas, e quando morremos sentimos que a culpa foi nossa.
  • Sistema de Koo: as habilidades do cão dão uma camada mais tática à ação e fazem com que nunca nos sintamos sozinhos em combate.
  • Direção de arte: muito boa e muito própria. O mundo tem uma beleza fora do comum e as paisagens ficam na memória.
  • Banda sonora: oscila bem entre a melancolia e a intensidade dos chefes. A música do mapa é muito boa, com inspiração clara nas composições com voz de NieR: Automata.
  • Progressão: vamos ganhando poderes dos chefes derrotados, o que expande o arsenal de Emma e Koo.

Pontos fracos

  • Cutscenes fracas: as personagens aparecem normalmente paradas, só a mexer a boca, com pouca animação.
  • Narrativa lenta: a história não tem pressa e é contada de forma mais parada e quase teatral, o que pode não agradar a todos.
  • Gráficos: tecnicamente não é dos jogos mais evoluídos graficamente.

Veredicto

Beast of Reincarnation é, acima de tudo, um jogo estranho de definir. É a Game Freak a afastar-se completamente daquilo que a tornou conhecida, e a ser bem sucedida nesta nova investida.

O combate entre a ação rápida de Emma e o sistema de comandos de Koo funciona bem e dá um ritmo diferente a um género que às vezes começa a repetir-se demasiado. A história, ainda que contada de forma mais parada, promete revelar segredos suficientes para manter o interesse ao longo da aventura.

Um Japão devastado, uma jovem com poderes de planta e um cão que decide batalhas, sinceramente, nem eu esperava gostar tanto desta combinação. Se o resto do jogo mantiver este nível, a Game Freak pode muito bem ter encontrado o seu próximo grande projeto fora do mundo Pokémon.