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Fire Emblem: Fortune's Weave

Vale a pena?

Fire Emblem: Fortune's Weave

Switch

Zema

Escrito por

Zema — Video & Social Media Producer

Depois de uma hora, queremos continuar a jogar?

Sim, continuamos.

Bem vindos a Dagsion, capital do Império Dagdan, sob o domínio dos deuses há mil e quinhentos anos. No episódio de hoje vamos jogar Fire Emblem: Fortune's Weave, o mais recente capítulo da saga tática da Intelligent Systems.

Temos um torneio onde guerreiros de todos os cantos da terra competem por um único desejo, quatro heróis com destinos entrelaçados e um mundo que partilha raízes com o de Three Houses, mas numa era completamente diferente. Preparem a espada e escolham o vosso herói, porque os Heroic Games estão prestes a começar.

Gameplay

O combate assenta na fundação clássica da série, com batalhas por turnos, artes de combate, gambits e crests a formar a base do sistema, embora o triângulo de armas tradicional pareça ter desaparecido, substituído por um sistema de eficácia baseado no tipo de unidade: lanças fazem mais dano a unidades montadas, magia é mais eficaz contra unidades blindadas.

A grande novidade desta entrada são as Blaze Arts, uma mecânica que permite às unidades gastar vida própria para executar habilidades especiais particularmente poderosas. No caso de Leda, ela usa o seu instrumento para tocar melodias que reforçam os aliados e podem mesmo invocar criaturas poderosas para lutarem ao seu lado, transformando-a numa das unidades mais versáteis do grupo, capaz de virar o rumo de uma batalha sem precisar de entrar diretamente em combate corpo a corpo. Essa tensão entre gestão de recursos e ataques devastadores dá um ritmo interessante às batalhas, especialmente nos confrontos diretos dos Heroic Games, onde cada erro de cálculo pode custar caro.

Leda traz ainda outra particularidade: enquanto exploramos o mapa do mundo, é ela quem consegue atuar nas vilas, tocando música para ganhar recursos e moedas, um mecanismo que se sente naturalmente ligado à sua identidade de musicista e que dá uma forma diferente de gerir o tempo livre entre partidas.

Existe tambem um sistema de combate estilo rpg tradicional em certas dungeons, os nossos heróis atacam por turnos em batalhas cujo objetivo é acabar com o hp da equipa inimiga.

Entre as partidas dos Heroic Games, podemos reforçar as nossas forças de várias maneiras: treinar técnicas nos campos de treino, recrutar novos aliados ou sair de Dagsion para ganhar experiência em batalhas e masmorras espalhadas pelo mapa. A forma como gerimos esse tempo livre fica ao nosso critério, mas os combates táticos dos Games vão sempre pôr essa preparação à prova.

O jogo continua divertido como sempre, apenas deixamos o conselho de jogar em hard e ou com permadeath, em normal e sem o perigo dos personágens morrerem, o jogo pareceu-nos bastante fácil.

História

A história gira em torno dos Heroic Games, um torneio realizado em honra da fundação do Império Dagdan, na capital Dagsion. O Soberano Divino, Solel, promete conceder um desejo a quem vencer, e é essa promessa que atrai guerreiros poderosos vindos de todos os cantos de Dagda.

O prólogo, no entanto, não começa logo com os quatro heróis principais. Começamos por jogar com Hong Hua e com o nosso personágem criado, estas personágens servem de introdução ao mundo e às mecânicas do jogo antes de a campanha nos entregar a escolha entre Cai, Dietrich, Theodora e Leda. É uma forma inteligente de nos ambientar a Dagsion e ao tom da história sem comprometer já o herói que vamos escolher para a jornada principal.

No prólogo aprendemos que o mundo está em perigo, a humanidade está quase exstinta devido à ameaça de Balor, todos que morrem transformam-se numa espécie de zombie e passam a servir os exércitos de Balor.

Assim para termos hipótese de vencer Balor e salvar a humanidade, a deusa Fortuna indica que teremos de interferir no passado dos quatro heróis de modo a evitar que morram, para se poderem juntar ao nosso exército.

Nós escolhemos jogar como Leda, uma bailarina e musicista talentosa que, em criança, viu o pai ser assassinado, e é essa dor que a move ao longo de toda a campanha. Quando descobre que o assassino do pai, conhecido como o The white maned demon, planeia participar nos Heroic Games, Leda parte para Dagsion com os seus companheiros com um único objetivo: entrar no torneio e ter finalmente a oportunidade de o enfrentar em combate. É uma motivação muito mais pessoal e sombria do que a de outros protagonistas, e dá à sua campanha um tom carregado de raiva contida, sempre à espera do momento do confronto.

É esse contraste entre os quatro heróis que torna a estrutura interessante: Cai luta para libertar o pai da prisão, Dietrich atravessa o mar à procura de adversários cada vez mais fortes, Theodora carrega o fardo de restaurar a honra de todo um reino, e Leda persegue, sozinha, a vingança pela morte do pai.

O jogo parece estar situado no mesmo mundo de Fire Emblem: Three Houses, ainda que numa era bem diferente, algo confirmado pela presença de Sothis, agora visivelmente mais velha.

Gráficos

Visualmente, o jogo é bonito. A arena de Dagsion, com as suas bancadas cheias de espectadores a assistir aos Heroic Games, transmite bem a escala e o espetáculo do torneio, enquanto os campos de batalha fora da capital variam entre planícies áridas, florestas e ruínas antigas que ajudam a vender a dimensão de Dagda como império.

A direção artística consegue equilibrar o tom mais sério da narrativa com o espetáculo colorido do torneio, aplicando uma arte anime sobre os personagens. Todos distintos e memoráveis.

Som / Música

O áudio acompanha bem o jogo, com uma banda sonora que oscila entre momentos mais solenes, ligados ao peso dos Heroic Games e à devastação que se avizinha, e passagens mais intensas durante os combates decisivos da arena.

As compsições são agradáveis, uma em especial destacou-se para mim, com uma guitarra clássica ao estilo espanhol.

A música que toca no mapa do mundo é igualmente forte, com composições corais que continuam a marca da saga, e pequenos temas regionais que ajudam a distinguir os vários territórios de Dagda por onde vamos passando.

O voice acting também está com qualidade, gostei especialmente da atuação de Leda, interpretada por Katiana Sarkissian.

Performance

Tecnicamente o jogo não impressiona ao nível dos títulos mais exigentes graficamente, mas a direção de arte compensa bem essa limitação, sobretudo nos retratos das personagens durante as conversas de apoio, que continuam bem desenhados e expressivos, à boa maneira da série desde Three Houses.

Infelizmente quanto ao desempenho continuamos a andar pelos 30fps, nas sequências de exploração das cidades até parece baixar ainda mais.

Veredicto

Fire Emblem: Fortune's Weave é mais uma entrada de qualidade na série, com os Heroic Games a darem um enquadramento narrativo diferente ao habitual conflito entre exércitos, e a Blaze Arts a introduzir uma camada extra de decisão tática ao sistema já bem estabelecido da saga.

Um torneio onde o destino de quatro heróis se cruza, um prólogo que nos apresenta a Dagsion pelos olhos de Hong Hua antes de nos entregar a escolha do protagonista, e a história de Leda a transformar dor em vingança nota a nota, há aqui bastante para explorar ao longo da campanha.

A série fire emblem continua em alta, a intelligent systems e a nintendo estão de parabéns.