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Starfield

Vale a pena?

Starfield

Xbox, PC, PS5

Zema

Escrito por

Zema — Video & Social Media Producer

Depois de uma hora, queremos continuar a jogar?

Não, ficámos por aqui.

Bem vindos ao sistema Alpha Centauri, onde a Constellation, a última organização de exploradores da galáxia, procura desvendar os segredos dos Artefactos espalhados pelo espaço. No episódio de hoje vamos falar sobre Starfield, o mais recente RPG de mundo aberto da Bethesda Game Studios, e a primeira nova saga do estúdio em mais de 25 anos.

Temos centenas de planetas para explorar, uma nave para construir à nossa medida e um conflito entre facções que disputam o controlo dos Sistemas Colonizados. Preparem o fato espacial e apontem a nave para as estrelas, vamos lá explorar.

Gameplay

Um dos pontos mais discutidos de Starfield é precisamente a forma como nos movemos pela galáxia. A navegação entre planetas resume-se, na prática, a uma sucessão de ecrãs de loading: escolhemos um destino no mapa, esperamos o carregamento, aterramos, e o processo repete-se sempre que queremos mudar de local, entrar ou sair de uma nave, ou viajar entre zonas da mesma cidade. Falta aqui aquela sensação de viagem orgânica que se esperaria de um jogo com esta escala, e a promessa de um universo aberto acaba por se sentir, muitas vezes, como uma sucessão de níveis isolados ligados por menus de carregamento.

A exploração dos próprios planetas também deixa a desejar. Apesar de existirem literalmente milhares de planetas gerados proceduralmente, na prática cada um deles representa apenas uma pequena área explorável, sempre gerada de forma aleatória a partir de um conjunto limitado de estruturas e pontos de interesse que se repetem constantemente entre planetas diferentes. Isto torna a exploração maioritariamente inútil: percorremos terrenos vastos e vazios, muitas vezes sem motivo para lá permanecer, sem recompensas ou descobertas que justifiquem o tempo investido. A sensação que fica é a de quantidade em vez de qualidade, com centenas de planetas que, na prática, pouco têm para oferecer.

Quanto ao combate, as mecânicas de disparo são bastante básicas, sem trazer nada de substancial que as distinga de outros shooters do género. As armas variam pouco no seu comportamento, o feedback de disparo é pouco satisfatório e a inteligência artificial dos inimigos raramente surpreende. Cumprem a função, mas nunca impressionam nem acrescentam profundidade à experiência de exploração e sobrevivência que o jogo tenta oferecer, e depois de algumas horas o combate começa a sentir-se como um obstáculo entre nós e o próximo objetivo, e não como um pilar divertido da experiência.

História

A história de Starfield coloca-nos na pele de um membro da Constellation, encarregue de recolher Artefactos misteriosos espalhados pela galáxia que, quando reunidos, provocam visões e revelam segredos sobre a origem da humanidade. É uma premissa que promete um mistério cósmico à altura das grandes space operas, com facções rivais, religiões dedicadas ao estudo dos Artefactos e uma corrida pelo domínio da tecnologia que os rodeia. No papel, há aqui material para uma narrativa épica.

Na prática, porém, a campanha principal acaba por se revelar aborrecida ao longo de toda a sua duração. As missões principais raramente conseguem gerar tensão ou surpresa, e o ritmo da narrativa arrasta-se entre diálogos genéricos e objetivos que se sentem repetitivos: viajar até um planeta, recolher o Artefacto, ouvir uma visão, repetir. Falta aqui aquele fio condutor cativante que outros RPGs da Bethesda conseguiram entregar no passado, e o mistério que devia prender-nos do início ao fim perde força muito antes do final da campanha.

Os personagens que vamos encontrando ao longo da jornada também não ajudam a salvar a experiência. Tanto os membros da Constellation como os NPCs espalhados pelas várias colónias são, na sua maioria, figuras esquecíveis, sem grande profundidade ou carisma, que raramente nos dão motivos para nos importarmos com o seu destino. Mesmo os companheiros que podemos recrutar para a nossa tripulação acabam por se sentir genéricos, sem aquele tipo de escrita marcante que torna memoráveis os elencos de outros títulos do género.

Gráficos

Visualmente, Starfield impressiona. Os gráficos são um dos grandes destaques, com planetas, naves e cidades a apresentarem um nível de detalhe elevado, e a iluminação a fazer um bom trabalho a vender a escala e a beleza do espaço, seja nos pores do sol alienígenas, seja nos interiores das naves e das estações espaciais. O design de algumas cidades, como Neon ou Akila City, consegue também transmitir identidades visuais bem distintas entre si.

Infelizmente, este cuidado visual não se estende às cutscenes, que são sempre muito rígidas, apresentando quem fala sempre ao centro do ecrã, sem qualquer fluidez ou dinamismo na forma como as conversas são encenadas. Falta variação de planos, movimento de câmara ou qualquer tipo de encenação que dê vida às conversas, o que contrasta bastante com a qualidade visual apresentada no resto do jogo.

Som / Música

A banda sonora é, sem dúvida, um dos pontos altos de Starfield. As composições conseguem transmitir bem a grandiosidade do espaço, alternando entre temas mais épicos nos momentos de descoberta e passagens mais intimistas e melancólicas que acompanham a solidão da exploração espacial. Há um cuidado evidente na forma como a música reage ao que se está a passar no ecrã, reforçando tanto os momentos de tensão nos combates como a contemplação silenciosa de sobrevoar um planeta desconhecido. É um trabalho sonoro cuidado, que ajuda a compensar algumas das fraquezas narrativas do jogo e que, por si só, já vale a pena ser ouvido fora do contexto do jogo.

Performance

O jogo apresenta-se fluído, quando o joguei no lançamento a situação era bem diferente, mal conseguia chegar aos 60fps na cidade principal.

Pontos fortes

  • Banda sonora: um dos pontos altos, transmite bem a grandiosidade do espaço e reage ao que acontece no ecrã.
  • Gráficos: planetas, naves e cidades com muito detalhe e boa iluminação.
  • Desempenho: o jogo corre de forma fluida atualmente.

Pontos fracos

  • História: a campanha principal é aborrecida e repetitiva, com pouca tensão ou surpresa.
  • Personagens: Banais e sem carisma, incluindo os companheiros.
  • Navegação: resume-se a sucessivos ecrãs de loading, sem sensação de viagem orgânica.
  • Exploração: planetas vazios e repetitivos, com poucas recompensas.
  • Combate: mecânicas básicas, feedback pouco satisfatório e IA pouco surpreendente.
  • Cutscenes: rígidas, sem variação de planos nem dinamismo.

Veredicto

Starfield é um jogo que promete os céus mas acaba por ficar preso em terra: os gráficos e a banda sonora mostram bem aquilo que a Bethesda é capaz de fazer tecnicamente, criando um universo bonito e bem sonorizado. Mas a história aborrecida, as missões pouco interessantes, a navegação reduzida a loading screens, o combate básico, os personagens esquecíveis e a exploração vazia de milhares de planetas acabam por pesar demasiado na experiência final, deixando a sensação de um potencial imenso que nunca chega a ser totalmente concretizado.